31.8.14

"I am strong, powerful and brave. I am confused, alone and afraid. I am lost but I am finding myself. I have come so far but I still have so far to go."

30.8.14

Lembro-me de uma manhã muito específica. Lembro-me muito bem, desde que abri os meus olhos e voltei a fechá-los de sono e preguiça. Desde que me abraçaste por cima dos lençóis azuis claros, uma das minhas cores preferidas, uma das cores do céu e do mar, ou seja, uma das tuas cores preferidas. As minhas mãos tentavam sacudir a comichão do meu nariz, enquanto também tentavam parar as tuas cócegas e o meu riso. Lembro-me especificamente de tudo, como se fosse capaz de vivê-la novamente. O sol entrava e aquecia o meu corpo frio, acabado de despertar. Tinhas estado a aproveitar aquele momento. Sempre gostaste do sol quanto eu, da magia que ele dá aos corpos e às peles e às cores. O sol acariciava o meu corpo curvo e tu perdias-te entre o carvão dos dedos e do papel e a paisagem que te apaixonava. Era verão, mas estava fresco. Era uma fresca manhã de verão, típica da tua casa, da tua morada. Os lençóis apeteciam e eu deixava-me estar, sabendo que um retrato meu desenhavas. Sabendo que o sol me iria beijar mais um pouco. Sabendo que tu irias ficar ali. Para sempre ali. E lembro-me sempre tão bem daquela tua imagem sentada no banco alto de madeira, junto à janela. Dos teus olhos concentrados e brilhantes, amados. Quando fecho os olhos, é isto que sinto. E lembro-me desta manhã como se fosse ontem ou como se a desejasse ter para o amanhã. Mal sabia eu que o para sempre é uma mentira. Mal sabia eu que o amor apenas nunca chega. E mal sabia eu que saberia tão mal lembrar-te assim. E fico com esta memória boa, entre os lençóis azuis da tua cama, onde deixei o meu amor, onde deixei o mar, onde deixei o sorriso e os beijos. Onde deixei-me a mim.
(Mikkel Solnado feat. Joana Alegre - E Agora?)

Ps. G espero que gostes.

17.5.14

Se prestares atenção, eu vou lá estar. Se sentires com minúcia vais reparar que sou eu que lá estou, que sou eu que te abraço todas as manhãs no quentinho da tua cama, enquanto ainda teimas em sair para o frio do novo dia; que sou eu que sentes no frio do chão com os pés nus enquanto caminhas pela casa, à espera que consigas abrir mais um pouco os olhos. Se conseguires ver além dos teus dedos, sabes que sou eu que me escondo por trás das cortinas, a vigiar-te enquanto tomas banho e se envolves no doce perfume do gel de banho. Se sentires as palmas dos teus dedos, sabes que em cada pedra das paredes da rua que fazes todos os dias debaixo do nosso sol ou das nossas gotas de chuva, sentes-me a mim, em cada risco e mágoa gravados naquelas paredes. Vês-me nos beijos roubados e nas corridas pela rua fora; vês-me nas mãos dadas por baixo da chuva e das línguas a saber a água e ao perfume da tua pele. Sou eu quem vês. Do outro lado, à tua espera, mas sem esperar demais. Deveria ter esperado mais? Estou lá, sem te dizer que estou, mas sabendo que sabes que estou, que sentes que estou. Em cada nuvem desenhada no céu. Em cada almofada fora do sítio na tua cama. Em cada raio de luz que teima beijar a tua pele e a queimá-la de paixão. Sou eu quem está lá e te beija todas as noites quanto já a tua consciência é nula e já te leva para longe de mim. Sou eu quem te toca ao de leve e te ouve gemer de saudade. Sou eu quem te ama. Se prestares atenção, eu nunca deixei que aqui estar. Eu nunca deixei de lá estar. Eu esperei, mais tarde esperei. O amor engana-se e desengana-se mas nunca deixa de amar. O meu amor ama-te. Se prestares atenção, o meu coração vai lá estar, de joelhos, por ti a implorar. Eu estou sempre lá. Eu estou sempre em ti.

Do teu.

A carta que não querias receber.

(Pois não.)

25.4.14

Lembro-me do cheiro a queimado. Era um cheiro forte, impossível de conseguir ser inalado sem reação. Lembro-me de sentir a impossibilidade de descrever qualquer face de dor ou angústia que senti, e não apensas vi, naquele lugar. Senti a maior dor que já há muito não sentia. Senti o céu a cair por cima de nós, sem justificação para alguém merecê-lo ou pedi-lo. Era pó o que via sobre o preto. Era vermelho o que via sobre o chão, e sobre o pó, e sobre o preto, e sobre os olhos. O que pensamos só nos nossos corações e pensamento ficam. Cada um sabe de si e toda a gente imagina que sabe de toda a gente. Mas inevitavelmente não. Era imundo o que se via naquele lugar e sentíamos revolta e angústia por nada fazer e por nada mudar! As mãos querem fazer mas ninguém deixa, ninguém permite, ninguém e nada muda... Nada muda agora. Agora é só viver o que ninguém quer viver. Deixar passar o que o tempo tão cedo não ou nunca irá curar. Queria dar um pedaço de mim para ser diferente. Tão novos, tão apaixonados pela causa, tão revoltante.

23 de Abril de 2014