Se prestares atenção, eu vou lá estar. Se sentires com minúcia vais reparar que sou eu que lá estou, que sou eu que te abraço todas as manhãs no quentinho da tua cama, enquanto ainda teimas em sair para o frio do novo dia; que sou eu que sentes no frio do chão com os pés nus enquanto caminhas pela casa, à espera que consigas abrir mais um pouco os olhos. Se conseguires ver além dos teus dedos, sabes que sou eu que me escondo por trás das cortinas, a vigiar-te enquanto tomas banho e se envolves no doce perfume do gel de banho. Se sentires as palmas dos teus dedos, sabes que em cada pedra das paredes da rua que fazes todos os dias debaixo do nosso sol ou das nossas gotas de chuva, sentes-me a mim, em cada risco e mágoa gravados naquelas paredes. Vês-me nos beijos roubados e nas corridas pela rua fora; vês-me nas mãos dadas por baixo da chuva e das línguas a saber a água e ao perfume da tua pele. Sou eu quem vês. Do outro lado, à tua espera, mas sem esperar demais. Deveria ter esperado mais? Estou lá, sem te dizer que estou, mas sabendo que sabes que estou, que sentes que estou. Em cada nuvem desenhada no céu. Em cada almofada fora do sítio na tua cama. Em cada raio de luz que teima beijar a tua pele e a queimá-la de paixão. Sou eu quem está lá e te beija todas as noites quanto já a tua consciência é nula e já te leva para longe de mim. Sou eu quem te toca ao de leve e te ouve gemer de saudade. Sou eu quem te ama. Se prestares atenção, eu nunca deixei que aqui estar. Eu nunca deixei de lá estar. Eu esperei, mais tarde esperei. O amor engana-se e desengana-se mas nunca deixa de amar. O meu amor ama-te. Se prestares atenção, o meu coração vai lá estar, de joelhos, por ti a implorar. Eu estou sempre lá. Eu estou sempre em ti.
Do teu.
A carta que não querias receber.
(Pois não.)
17.5.14
25.4.14
Lembro-me do cheiro a queimado. Era um cheiro forte, impossível de conseguir ser inalado sem reação. Lembro-me de sentir a impossibilidade de descrever qualquer face de dor ou angústia que senti, e não apensas vi, naquele lugar. Senti a maior dor que já há muito não sentia. Senti o céu a cair por cima de nós, sem justificação para alguém merecê-lo ou pedi-lo. Era pó o que via sobre o preto. Era vermelho o que via sobre o chão, e sobre o pó, e sobre o preto, e sobre os olhos. O que pensamos só nos nossos corações e pensamento ficam. Cada um sabe de si e toda a gente imagina que sabe de toda a gente. Mas inevitavelmente não. Era imundo o que se via naquele lugar e sentíamos revolta e angústia por nada fazer e por nada mudar! As mãos querem fazer mas ninguém deixa, ninguém permite, ninguém e nada muda... Nada muda agora. Agora é só viver o que ninguém quer viver. Deixar passar o que o tempo tão cedo não ou nunca irá curar. Queria dar um pedaço de mim para ser diferente. Tão novos, tão apaixonados pela causa, tão revoltante.
23 de Abril de 2014
23 de Abril de 2014
15.4.14
Quero encontrar-te.
Quero encontrar-te e poder fechar-me dentro de ti, para nunca mais de ti separar-me.
Dá-me ar. Fura o meu pescoço, para que os meus lábios só sirvam para te beijar.
Oh doce licor de amor que transborda da tua língua e me afoga em desejo e vício. É o que tu és.
Vive para me ver respirar. Perde-te em mim. Faz-me gritar. O meu mundo é teu e por ti não deixa de girar. Só por ti.
Rasgo-te a pele e deixo-te em carne viva enquanto me mordes a pele e me amarras ao teu peito. Só te sei sentir a ti. Só sei sentir a tua música. O teu medo. Na minha cabeça mora o medo de me perder em ti e nunca mais a luz do dia encontrar. Na escuridão do vício não quero morrer. O meu coração abafa-me a voz da razão e mata-me as aos poucos com a loucura do teu nome. Fazes-me parar de respirar. O desespero é tanto que me sinto a arranhar a garganta para encontrar uma entrada para viver. Os meus lábios recusam-se a abrir, só para beber dos teus lábios o que mais quero saborear.
E vivo assim. Presa por um fio condutor ao motor que dispara sempre que te vejo. As palpitações são paralisantes. Sinto-me a parar.
Quero encontrar-te. Matar-te aos poucos como me fazes sempre que me dás a provar do teu veneno. Quero rasgar a tua pele, deixar-te em carne viva, escravizar as tuas veias e asfixiar-te no momento em que disparas de prazer contra mim, contra a parede onde me atiras contra. Se pudesses ler a minha mente era isto que encontrarias. Ódio por tanto de amar. Quero deixar-te sem ar. Gritos de prazer e dor, é sangue o que o meu amor transborda. O teu sangue louco a ferver de amor. Louco. Quero encontrar-te. Louca.
(Um completo estado de loucura que cresce na minha mente e escreve quando tem poder.)
Quero encontrar-te e poder fechar-me dentro de ti, para nunca mais de ti separar-me.
Dá-me ar. Fura o meu pescoço, para que os meus lábios só sirvam para te beijar.
Oh doce licor de amor que transborda da tua língua e me afoga em desejo e vício. É o que tu és.
Vive para me ver respirar. Perde-te em mim. Faz-me gritar. O meu mundo é teu e por ti não deixa de girar. Só por ti.
Rasgo-te a pele e deixo-te em carne viva enquanto me mordes a pele e me amarras ao teu peito. Só te sei sentir a ti. Só sei sentir a tua música. O teu medo. Na minha cabeça mora o medo de me perder em ti e nunca mais a luz do dia encontrar. Na escuridão do vício não quero morrer. O meu coração abafa-me a voz da razão e mata-me as aos poucos com a loucura do teu nome. Fazes-me parar de respirar. O desespero é tanto que me sinto a arranhar a garganta para encontrar uma entrada para viver. Os meus lábios recusam-se a abrir, só para beber dos teus lábios o que mais quero saborear.
E vivo assim. Presa por um fio condutor ao motor que dispara sempre que te vejo. As palpitações são paralisantes. Sinto-me a parar.
Quero encontrar-te. Matar-te aos poucos como me fazes sempre que me dás a provar do teu veneno. Quero rasgar a tua pele, deixar-te em carne viva, escravizar as tuas veias e asfixiar-te no momento em que disparas de prazer contra mim, contra a parede onde me atiras contra. Se pudesses ler a minha mente era isto que encontrarias. Ódio por tanto de amar. Quero deixar-te sem ar. Gritos de prazer e dor, é sangue o que o meu amor transborda. O teu sangue louco a ferver de amor. Louco. Quero encontrar-te. Louca.
(Um completo estado de loucura que cresce na minha mente e escreve quando tem poder.)
13.4.14
Quando desci as escadas para ir ter contigo, já lá estavas encostado à parede, a trocar pedrinhas que estavam no meio da calçada. Deste conta dos meus passos apressados, estava atrasada outra vez, a saltarem pela rua, para contigo ir ter. O café era o mesmo, mas o ponto de encontro era diferente. Dava-te mais jeito, a mim também, o sol era o mesmo e o calor da tarde abraçava-nos aos dois. Sempre sentimos as coisas de forma diferente e única e talvez seja por causa disso que nos adaptamos sempre da mesma forma. Os sentimentos nunca se alteram e as zangas permanecem sobre as mesmas pedras. Os beijos repetem-se depois das zangas e as desculpas sucedem-se depois do amor. Fizemo-lo ontem, hoje e amanhã havemos de o fazer. O vestido era leve e acompanhava os meus movimentos. Os teus olhos trocaram o chão pela minha figura e esboçaste um sorriso, como se fosse a primeira vez e estivéssemos naquele café, embora agora sozinhos, escondidos no meio das ruas. Beijei-te o canto da boca, tu a minha face, num beijo entregue a mim, como se tu me pertencesses assim. Devo dizer que foi difícil perceber que era a sério, de novo, desta vez. Mas também não me importei, e resolvi fazer o que não tinha dito e viver-te outra vez. Vais e vens, mais vale aproveitar enquanto estás. O céu também não é azul todos os dias. Não há gelado todos os dias e come-se rapidamente enquanto não derrete nas mãos. As tuas mãos estão sempre sujas de carvão. O meu vestido já tem a marca do carvão gravado nas ancas. Mais vale aproveitar, sim. Amanhã já cá não estás, amanhã já não tenho carvão e amor sobre o qual escrever, amanhã já não me amas tu e amanhã já não nos amamos mais. Mas amanhã também não importa.
Subscrever:
Mensagens (Atom)