19.2.14

Encontrei-me a chorar por não te ter mais ao meu lado de novo. Encontrei-me a chorar por sentir que luz do sol não era suficiente para amar-te todos os dias de novo. Encontrei-me estendida a achar que a mágoa da despedida era água para novas vidas dentro de novos vasos na mesma terra. A terra nossa que dá vida aos frutos do amor nunca é suficiente para eles perdurarem. Vejo-os a morrerem e a nascerem novos como se fosse de novidade aquilo de que mais precisamos para amar. Eu preciso de ti, todos os dias, para amar! Preciso de ti de manhã, num beijo cheio de frescura das horas demasiado cedo do dia. Preciso de ti nas torradas, no doce de amora, do doce do café, no doce da palavra. Eu preciso de ti de tarde, nas horas ocupadas e nos beijos rápidos e sempre a fugir. Eu preciso de ti à noite, na despedida, no abraço, no amor. Consegues entender que estares aqui apenas "de vez em quando" não é suficiente? E encontro-me no chão a chorar, por não te ter, de novo, aqui ao meu lado.
Consegues? Então fica. Então está aqui de manhã, de tarde, de noite. Apaga-me o sal da cara, renova a terra, e planta uma árvore. Apenas uma. Ela é suficiente para durar anos e ficar cá mesmo depois de me ir. A morte é pura e renovadora quando o amor é assim: eterno. Fica. Não me deixes aqui. Não me deixes deitada no chão a chorar.

(Se me aproximar - Tiago Bettencourt e Márcia)

22.11.13

A luz entra pelo nosso quarto como se fosse primavera. Ela veste a nossa pele de calor e amor e eu agacho-me mais ao teu lado. Os teus braços nunca me pareceram tão algodão e neve ao mesmo tempo e esta sensação de carinho penetra-me no meu sangue. A luz amarela no teu rosto ilumina a minha noção de amor, dá-me paz e faz-me querer nunca mais te largar... É um sonho estares aqui junto a mim, outra vez, um sonho do qual é eu não quero mais acordar. A tua barba é o reflexo mais lógico neste momento que me poderia fazer acordar, mas mesmo assim não o faz, porque és tu. E estás aqui! E abraças-me como se nunca tivesses deixado de o fazer e a nossa história tivesse sempre continuado, nunca fazendo pausas no meio das discussões. E a pergunta foi simplesmente: "Estás de volta?" E as respostas tuas poderiam ser lógicas e nada sinceras, como "sim" e "foi uma experiência da qual nunca mais me vou esquecer", mas não. Foste muito mais espontâneo e sincero e amor. As mãos dadas e os sorrisos, como se fosse de novo setembro e de novo noite e de novo nós. "Não me largues mais que eu prometo-te o mundo". Eu só quero o teu mundo Tiago.

14.11.13

Se visse os olhares que trocamos, parecia um verdadeiro filme de amor, em que nós eramos as personagens principais. Amor era o que os teus lábios queriam ao querer os meus e os nossos olhos não conseguiam resistir-nos. As tuas mãos estavam na minha anca e os teus dedos amarrotavam a minha camisola devagar, arrepiando a minha pele. Tinhas as mãos frias, mas eu não me importava. As tuas mãos frias combinavam com as minhas borboletas na barriga. Sentia sempre um aperto, e tu sabias que o meu medo era maior que o nosso amor. Perder-me em ti nunca soava bem visto na terceira pessoa. O amor troca-nos a mente e a linha por onde nos deixámos conduzir. Mas tu agarravas-me e eu não conseguia dizer que não. O meu corpo seguia o teu, as minhas mãos seguiam os traços do teu rosto, sentiam os pequenos pelos de barba por fazer e de rebeldia e preguiça de noites de trabalho em carvão. Não me davas espaço, tinha de ser tua no teu espaço, caber em ti, caber no teu amor. Preenchia a tua vida e tu as minhas palavras. Sempre que te agarrava na camisola era um pretexto para tu a tirares. Os espasmos dos teus músculos era grandes quando arrepiados ficavam da minha temperatura. Consegui ser sempre mais fria que tu. Não fazia sentido ser ao contrário. Aliás eras tu quem me protegia dos meus medos e me libertava de todo o amor que me prendia a ti. As tuas mãos grandes a desenharem o que já não havia mais para definir em mim. As curvas ao longo de um corpo que desejava-te a ti apaixonadamente. Os meus beijos. Os teus beijos. Amor puro e nu debaixo das folhas que caiem neste Outono. Os teus braços amarram-me, prendem-me e juram amar-me para sempre. Os meus braços, perdidos de amor, prendem-se aos teus e acreditam que nunca mais os largarás. O meu amor era teu. As minhas palavras eram tuas. E continuo-te a escrever sempre, com todo o meu amor. Com todo o teu amor. Volta com ele e devolve-mo por favor. Debaixo das folhas só resto eu, sem saber onde devo saber mais. Volta, sem ti ou com ti, mas volta com o meu amor.

27.10.13

As tuas lágrimas deixaram de saber a sal de tanto chorares à janela. As noites escureceram e as estrelas esconderam-se por trás das nuvens negras, para não te ouvirem mais. O teu choro agonia quem passa pela tua rua e a prostitutas já não se encontram com os amantes por baixo da tua janela. Não dormes com dores no peito. Com um coração amargurado como o teu, quem dormiria? Nas alegrias e tristezas medem-se as consequências dos nossos amores. Tu medes os teus por baixo dos lençóis e na janela à noite, depois de fecharem a porta e acenderem o cigarro pela rua. Magoa-me ver que a tua própria mágoa já te consumiu por dentro. A vida fecha-nos sempre a porta quando sonhámos alto de mais. Caíste e ninguém te abriu a janela. As paredes ficaram negras por tanta lágrima escorrer pelas rugas. A tua água já não lava a alma de ninguém, nem a tua voz, nem o teu corpo. Já não lavas a alma de ninguém com o teu choro. E tudo é passado. Não há novos futuros depois de secares as tuas lágrimas, ou se há, ninguém o vê. O poço que se forma é fundo. A noite parece não acabar com a minha insónia e o teu choro. O teu choro parece não desparecer com a noite. As tuas lágrimas não têm sal e já ninguém passa pela tua janela sequer para te consolar. Já ninguém passa. Nem as prostitutas. E Lisboa morre no teu chorar. E a noite acaba por se afogar.