26.12.18

Há muito que te quero escrever, mas não sei como começar. Começo por pensar em ti, no teu rosto, no teu sorriso, nas tuas expressões, mas não consigo definir o que te quero dizer nem como te quero dizer isto. Sinto saudades de te escrever, de esvaziar a minha mente e de lavar-me das velhas emoções. Não quero esquecer-me, não é isso. Só acho que este velho processo me ajuda a crescer e a pensar na vida, nas pessoas, nos afetos e nos sonhos. (E até porque acho que tu és inesquecível e até mesmo insubstituível.) Foste desenhado com traços demasiados familiares para me despedir para sempre de ti. O carvão da lapiseira deixou uma marca na minha pele, pequena mas tua. Esvaziar-me em ti ajuda-me nesta procura insaciável de mim mesma, ajuda-me a discernir sobre a vida, as pessoas, os afetos e os sonhos. Quando reparo demasiado nas expressões, nas cores, nas palavras, às vezes torna-se cansativo segurar em todos estes pensamentos. E às vezes quero esquecer-me de todos eles, mas menos de ti. És um dos processos mais bonitos do meu crescimento. Deixa-te estar aqui, comigo. Lava-me das angústias e das mágoas e dá-me amor, como sempre deste. 
E este para sempre tem (já) uma década. Desde a tua barba castanha, aos teus olhos meios verdes; desde o teu sorriso atrevido, às tuas expressões corporais meigas; desde a tua boca salgada, às tuas mãos molhadas; desde os teus desenhos, aos teus passeios; desde o que é teu até ti; desde o que é meu e te criou a ti. 

Cherry Wine - Hozier

15.7.18

Ontem finalizei uma grande etapa da minha vida. Uma das etapas mais bonitas que tive a feliz oportunidade de viver e de aprender com ela. Ontem, após uma noite de risos, abraços, beleza, sangria e amizade, senti uma nostalgia triste. Sabem, quando olhamos à nossa volta e vemos as pessoas que nos acompanharam durante 6 anos, que trocaram connosco piadas secas, piadas negras, mas sobretudo gargalhadas que nos provocam dor de barriga, lágrimas e roncos barulhentos; que dançaram nas noites mais e menos académicas, ao som das mais diferentes músicas, cantaram refrões e partilharam sorrisos e coreografias nas pistas de dança e em frente ao computador ou à consola; que subiram e desceram rampas, a conversar sobre mil e um temas, mas sempre começando e terminando com comida; que partilharam mesas e auditórios, o stress dos exames e a frustração de estudar nesta escola; que te compreenderam sempre, te aceitaram como és e te protegeram das inseguranças, das incertezas e da tristeza que naturalmente surgiram neste percurso; que provaram as receitas sempre que quiseste treinar os teus dotes de chefe e que também estavam sempre prontos a buscar o frango de churrasco e as batatas de pacote; que te acompanharam nos vídeos da parvalheira, no karaoke e nas conversas aleatórias e de m*****; que foram contigo estudar para a biblioteca e fizeram pausas quando o estudo já não rendia mais; que te acompanharam nos passeios ao Bom Jesus, ao centro, a Guimarães, à praia, a Espinho, a Ponte de Lima, a Porto d'Ave, a Esposende, à discoteca, aos festivais; que estiveram lá e te estenderam sempre a mão, sem nunca te pedir nada em troca; que foram a tua casa, é difícil não sentirmos esta nostalgia triste. É difícil sobretudo por saber que já não vos verei todos os dias; por antecipar que o vosso bom dia, o vosso sorriso e o vosso olhar não estarão lá na normal rotina do dia-a-dia. 
A quem tornou isto mais fácil, o meu mais sincero obrigada. Obrigada por serem mais que colegas e amigos; obrigada por serem uma família para mim. Obrigada por tudo. (E vou acabar sendo cliché mas) Levo-vos para a vida toda. Vocês são o meu trevo de quatro folhas.
Até já.

A música responsável pela choradeira
 Trevo (TU) - Anavitória (ft. Diogo Piçarra)

5.7.18

(rascunhos das cartas que sempre te quis escrever)

No toque dos teus lábios eu senti paz. Estou a tentar lembrar-me daquele último beijo, daquele último toque. Houve momentos em que achei, muito honestamente, que iria esquecer-me do calor do teu corpo abraçado ao meu, mas frio, porque tinhas acabado de estar nas ondas daquele teu, nosso, mar. O calor do teu abraço, misturado com o frio gélido da água salgada daquele mar, a proteger-me do vento frio das 6 da manhã, era o meu escudo, o meu infinito. O tempo parava e a minha mente aclarava. Lembro-me de não lembrar-me de mais nada, de não pensar em nada, só de sentir aquele momento, aquele tempo, aquele abraço. E de nariz enroscado no teu peito, sentia os beijos no meu cabelo, na minha pele. E por momentos achei que já não sabia que sensação era esta e isso entristeceu-me tanto, mas tanto. Juramos nunca nos esquecer-mos um do outro, lembras-te? E na minha memória ter-me passado o pensamento que me tinha esquecido de ti, desse mar e desse abraço, só entristecia ainda mais este coração que te pertenceu por inteiro. Mas comecei por sentir a paz daquele beijo, daquele beijo de despedida, com menos sal do que aquelas manhãs de praia e surf, mas com tanta paixão e ainda mais amor. Porque o amor fez-nos crescer e deu-nos muito mais do que uma história bonita para compor estas páginas. Deu-nos paciência para aceitarmos os dissabores da distância e das paixões mal-amadas, ou mal-saboreadas. Deu-nos humildade para aceitarmos o egoísmo do outro e sabermos deixar partir quando assim tem de ser. Deu-nos um ideal de como o amor deve ser. Um amor sem paz não é amor. E nós sabemos isso porque na paixão já sentimos a guerra que muitas vezes incendeia as nossas artérias e cega-nos com desilusão e ingenuidade. No teu abraço eu era ingénua, mas era diferente... A paz que eu sentia, que me permitia ser ingénua, era diferente. E lembrar-me disso, lembrar-te de ti, deixa-me assim: feliz. Feliz, calma e ingénua, como se tivesse dentro do teu abraço. Aquele último beijo, a esconder um olhar mais triste, uma lágrima mais triste, foi o início de uma vida para nós os dois. E sou feliz por recordar-me de ti, dos teus beijos e dos teus abraços, sempre por inteiro, porque é assim que o amor deve ser, inteiro.

Leon Brigdes - Mrs.

24.3.18

Não consigo esquecer-me. Estou neste impasse parvo que me impede de dar um passo, de olhar mais profundamente, de sentir sem medo. Tudo porque não consigo esquecer-me. Não consigo esquecer-me do bom, da calma, das mãos dadas, dos sorrisos, das sessões de cinema que terminavam em beijos, das músicas com sabor a verão, do calor da tua pele, da calma do teu abraço. Não consigo esquecer-me. Parece que estás tão marcado como as tatuagens na tua pele. Parece que estás tão marcado como as tuas tatuagens mal definidas, que estavam a precisar de retoques. E acho que a minha memória não se consegue esquecer deste amor mal definido. E o problema é tão esse: o que está marcado em mim são só memórias boas. A revolta é sentir-te com amor e saudade e ter de me esforçar para borrar-te com os sentimentos de desilusão e tristeza que me inundaram mas depressa se desvaneceram. A revolta é sentir-te ainda com tanto amor e tanta saudade. Tal como as tuas tatuagens, preciso de definição; preciso de sentir o que não faz parte de mim naturalmente; preciso de encher a tua memória com a tristeza que me deixaste, com o teu egoísmo, com a tua cobardia. Preciso de esquecer-me. Preciso de esquecer-te.

(Kodaline - The Riddle (From a Kuala Lumpur Rooftop))