13.9.14

E foi Mindelo e foi o Verão e são os amigos!
Eu às vezes fecho os olhos, e faço muita força, muita muita muita, para tentar voltar ao momento em que te abracei como se não houvesse amanhã. Muita coisa mudou, e posso dizer que o sentimento talvez, mas às vezes ainda sinto a raiva e outras vezes ela já nem sequer está mais lá, mas ainda gosto muito de ti. E por muito que tente dar forma às razões para continuar e virar a página, eu não quero virar a página. Tenho saudades de te ver e te ter. Ter-te do outro lado do mundo, mas ter-te sempre comigo. Ter-te nas conversas da noite e nas confissões do dia. Ter-te porque me sabe bem ter-te. Não porque nos 'amamos loucamente', ou porque isto será para sempre, mas ter-te porque é bom ter alguém de quem gostamos ao nosso lado, a quem nos afeiçoamos e que é diferente no nosso coração. Tu tornaste-te diferente no meu coração e se calhar é por isso que era tão bom ter-te. Ainda quero ouvir o que os meus olhos te dizem e que a mim nem sequer contam. Ainda quero sentir o teu coração bater do outro lado da pele. Ainda quero sentir o nervosismo no estômago enquanto fazia o caminho de casa. O que me faz falta é o facto de teres levado a minha metade e nada teres deixado lá. Senti que perdi muito antes e depois senti que perdi outro tanto. O amor é tão bonito na minha mente que quando o vivo deixa de o ser - e é disso que mais tenho medo agora: perder o que há de bom na minha imaginação, porque enquanto ela existir, há muito de amor para ainda continuar escrever...
"Eu queria muito te esquecer, mas não consigo. O jeito é deixar doer, para ver se sara."
Para o N. 

31.8.14

"I am strong, powerful and brave. I am confused, alone and afraid. I am lost but I am finding myself. I have come so far but I still have so far to go."

30.8.14

Lembro-me de uma manhã muito específica. Lembro-me muito bem, desde que abri os meus olhos e voltei a fechá-los de sono e preguiça. Desde que me abraçaste por cima dos lençóis azuis claros, uma das minhas cores preferidas, uma das cores do céu e do mar, ou seja, uma das tuas cores preferidas. As minhas mãos tentavam sacudir a comichão do meu nariz, enquanto também tentavam parar as tuas cócegas e o meu riso. Lembro-me especificamente de tudo, como se fosse capaz de vivê-la novamente. O sol entrava e aquecia o meu corpo frio, acabado de despertar. Tinhas estado a aproveitar aquele momento. Sempre gostaste do sol quanto eu, da magia que ele dá aos corpos e às peles e às cores. O sol acariciava o meu corpo curvo e tu perdias-te entre o carvão dos dedos e do papel e a paisagem que te apaixonava. Era verão, mas estava fresco. Era uma fresca manhã de verão, típica da tua casa, da tua morada. Os lençóis apeteciam e eu deixava-me estar, sabendo que um retrato meu desenhavas. Sabendo que o sol me iria beijar mais um pouco. Sabendo que tu irias ficar ali. Para sempre ali. E lembro-me sempre tão bem daquela tua imagem sentada no banco alto de madeira, junto à janela. Dos teus olhos concentrados e brilhantes, amados. Quando fecho os olhos, é isto que sinto. E lembro-me desta manhã como se fosse ontem ou como se a desejasse ter para o amanhã. Mal sabia eu que o para sempre é uma mentira. Mal sabia eu que o amor apenas nunca chega. E mal sabia eu que saberia tão mal lembrar-te assim. E fico com esta memória boa, entre os lençóis azuis da tua cama, onde deixei o meu amor, onde deixei o mar, onde deixei o sorriso e os beijos. Onde deixei-me a mim.
(Mikkel Solnado feat. Joana Alegre - E Agora?)

Ps. G espero que gostes.